Redes Sociais

Leitura Dinâmica

O mundo Virtual e o Abandono real
Artigo publicado em: 28/02/2017
Compartilhe

Salmos: 10:14. Mas tu enxergas o sofrimento e a dor; observa-os para tomá-los em tuas mãos. A vítima deles entrega-se a ti; tu és o protetor do órfão.

Atualmente o mundo possui cerca de... habitantes só no Brasil são... e a tendência é de crescimento. A grande concentração nos núcleos urbanos faz com que a população fique cada vez mais amontoada. O que se vê, são enormes conjuntos habitacionais, condomínios verticais retendo em espaços cada vez menores o maior número de pessoas possível. São pessoas que dividem espaços em comum: creches, escolas, empresas, igrejas, locais de trabalho, supermercados, shoppings, áreas de lazer, parques, feiras... enfim, desde as fases mais tenras da existência do homem, ele está cercado de pessoas em todos os lados. Gente que agrega às nossas personalidades construindo o nosso caráter.

Os meios de comunicação, a mídia em massa, e a explosão das redes sociais criaram um novo formato de relacionamento. Pessoas que fabricam um perfil de felicidade ou de sofrimento. Que fazem sua melhor pose pensando no alimento diário exigido pra ganhar o precioso like (curtir) de cada dia. Mas não há cheiro de café passando, ou a preocupação de que a Maria não veio varrer a calçada hoje.

Estamos experimentando a ausência do toque e o distanciamento real de pessoas que estão ao nosso lado. Criam-se afinidades e estas se desfazem em um click. Não há quem sobreviva a duas semanas sem nenhuma postagem. Não se é lembrado quando não carrega o smartphone. A morte social digital é tão menos dolorosa que nem se percebe a falta; tem sempre um gif a mais, um novo status pra te substituir. Hoje faz biquinho e coloca: - se sentindo realizada, mas não dá pra saber o que a pessoa vive no dia a dia.

Estas novas formas de relação também geraram novas formas de abandono. Dá pra ficar off para alguns e ignorar o sinal de nova mensagem. Tem como bloquear as notificações pra não olhar na cara de alguém sem ter de excluir. Estamos diante de um mundo que nos rouba a atenção do real e que não faz compromissos de verdade com quem se relaciona. É só desativar para... e tchau!

Existem muitos mistérios com relação ao produto disso tudo. Como serão essas pessoas no futuro? Qual é o produto deste comportamento? Sabemos que pessoas da mesma família promovem o abandono dentro de casa e que o produto disso é o alcoolismo, é o suicídio, é a depressão, e que isto acompanha a humanidade há muito tempo. Mas não sabemos ainda o que podemos esperar das novas formas de relacionamento, a falta de contato tem produzido um mundo frio.

As pessoas não demonstram suas fraquezas na página do Facebook, e quando demonstram, não ganham o like. Tem que ter mais perna. Tem que ter mais bunda. Tem que ter mais peito. A barriga tem que ser de tanquinho. Tem que parecer bandidinho. Tem que ser ativista. Tem que ser feminista. Tem que defender a causa gay. Na página de Jesus, tem que curtir ou compartilhar ou então, vai para o inferno.

Não tenho dúvidas de que as respostas virão com o tempo e de que nesse mundo virtual tem que parecer legal para não sofrer abandono. Nossos pais e avós sonhavam em entrar dentro da caixa brilhante e agora que estamos lá, não sabemos o que fazer pra sermos felizes, já que o sofá em família era muito mais gostoso.

Comente este artigo